Durante a Gamescom Latam 2025, tive o privilégio de conversar com Rafael Dolzan e Rodrigo Dal’Asta, sócios fundadores da Continuum Entertainment, desenvolvedora do clássico brasileiro de estratégia em tempo real Outlive. O papo abordou o cenário do mercado de jogos na época, os desafios do mercado nacional, o desenvolvimento do remaster e as perspectivas para o futuro.

Outlive, lançado em 2000 (Divulgação/Continuum)
O Impacto de Jogos de Estratégia em Tempo Real no Outlive
É muito difícil se falar em Outlive sem comparar com jogos como StarCraft, um dos principais expoentes do estilo Estratégia em Tempo Real, além de outros grandes títulos que foram lançados na mesma época do Outlive. Segundo a equipe da Continuum Entertainment, o cenário era altamente dinâmico.
“O processo de melhoria, o estilo de estratégia em tempo real funcionava desse jeito. Naquela época teve Command & Conquer, Age of Empires, vários jogos lançados, então todos eles de certa forma se afetavam. Nosso jogo foi lançado entre o StarCraft 1 e o 2, sendo que o 2 tinha características que apareceram no Outlive, mas não tinham no 1, então um acabava seguindo a evolução do outro.”
Além disso, eles destacam a conquista inédita de conseguir uma publicação internacional: “Na época a gente conseguiu a publicação pela Take Two, um grande publicador global, algo inédito para um jogo brasileiro. Publicamos aqui em 2000 e, em 2001, com a Take Two, publicamos no exterior. Atingimos o mercado europeu, americano, depois leste europeu, Rússia e Ásia. Até hoje vemos pessoas jogando Outlive em idiomas que nem imaginávamos.”
O Desafio do Investimento e o Mercado Brasileiro na Época
“O retorno financeiro não foi exatamente o que esperávamos, porque para lançar um novo jogo você precisava de um financiamento muito elevado. Isso acabou levando a Continuum a fechar as portas, mas foi uma experiência muito boa e guardamos com carinho aquela época.”
Sobre o faturamento e os desafios enfrentados, a equipe relembra: “Teve todo o faturamento no Brasil, mas para financiar um jogo que fosse uma evolução do Outlive teria que ter um investimento bem significativo. Naquela época o mercado brasileiro ainda estava engatinhando, éramos uma das poucas iniciativas. Os publicadores não olhavam com tanto carinho para cá, não injetavam tanto dinheiro como agora. A dificuldade era muito maior e isso dificultou muito na época.”
A Engine do Outlive 25
Ao perguntar sobre a tecnologia utilizada no Outlive 25, a Continuum revela: “Estamos usando nossa própria engine, a original desde a época, com várias melhorias. Na época não era como hoje, que você tem várias engines disponíveis, algumas gratuitas e outras pagas. Tinhamos que fazer tudo na raça, criar ferramentas internas para apoiar o desenvolvimento, trabalhar com material gráfico, sprites, tudo era feito dentro da Continuum. Hoje, estamos adaptando essas ferramentas e a engine para suportar os equipamentos e tecnologias atuais.”
“É uma satisfação enorme poder voltar para o jogo. Sempre quisemos trabalhar de novo nele e vemos que o jogo envelheceu muito bem. Jogos de estratégia não evoluíram tanto nesse período. Você joga Outlive hoje e parece um jogo atual. Pequenos ajustes precisam ser feitos, mas ele se mantém muito divertido e atualizado.”
O Debate sobre o Triple A Brasileiro e o Potencial de Outlive 25
Ao serem questionados sobre o rótulo de ter sido "a experiência mais próxima de Triple A brasileiro", os desenvolvedores são diretos: “Essa necessidade de se ter um triple A, acho que temos que ter jogos de qualidade. O Brasil já apresenta jogos de qualidade, evoluiu muito nos últimos anos. Temos devs e equipes muito boas, alguns indies têm mais sucesso e qualidade que triple As. Não gosto de colocar o Outlive em rótulo. É um jogo autoral, que queremos trazer com a melhor qualidade possível para que o público se divirta como há 25 anos.”
“O importante é que ele conseguiu competir com os triple A da época em termos de conteúdo, acabamento, perfil gráfico e multiplayer. Talvez pelo investimento não seja, mas pelo jogo final, ficou no mesmo nível.”
O Futuro da Continuum: Planos e Comunidade
Por fim, sobre os próximos passos da Continuum, os desenvolvedores são cautelosos, mas otimistas: “Temos muitos planos, mas vamos dar um passo de cada vez. Nosso primeiro ponto é relembrar o perfil da Continuum. Quando desenvolvemos Outlive, lançamos uma demo gratuita e recebemos muito feedback da comunidade, que ajudou a moldar o jogo, ele saiu de certa forma com a cara do jogador brasileiro de estratégia. Agora, queremos repetir isso: lançar o remaster, reunir essa galera de novo jogando o remaster, ouvir eles de novo para entender o próximo passo, se vamos fazer uma expansão, se partimos para um Outlive 2, se vamos expandir o universo em outras áreas. Estamos abertos a ideias e a ouvir a comunidade para construir juntos essa nova fase da Continuum.”

Fundadores da Continuum reunidos novamente em 2025, da esquerda para direita: Henry Baggio, Rafael Dolzan, Rodrigo Dal’Asta, Alexandre Vrubel e Daniel Dolzan (Divulgação/Continuum)
Estúdios Relacionados
Jogos Relacionados
Nenhum jogo relacionado
Pessoas Relacionadas
Nenhuma pessoa relacionada