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Quem é este tal de Malegra?

11058299_10153578015369312_7921892544850190569_oSou um aficcionado por games desde quando ganhei meu primeiro Atari, em 1983, uma paixão à primeira vista. De tanto jogar Pitfall e ver a biografia do David Crane na última página do manual, não deu outra – o sonho de criar e discutir jogos pegou de vez.

Em 1997, mesmo ano em que me casei, criei meu primeiro site relacionado a emuladores e jogos para Atari, o Velharias do Gororoba. Mais ou menos na mesma época fui convidado pelo meu grande amigo Marcus Garrett a entrar em um clube que tinha acabado de ser criado, o Canal 3. Foi uma época muito divertida, pois eu vivia uma paixão gigante pelo Atari, e como neste clube videogame novo não entrava (leia-se Playstation 1 na época), me senti em casa. Ali o velharias evoluiu para o Atari.com.br, que existe até hoje sob a batuta do amigo Eduardo Luccas, e comecei a juntar um monte de consoles 2600 em casa; alguns porque eu ganhava e outros que amigos me davam por conta do site, até que um dia recebi o ultimato da esposa (quem colecionou um dia sabe bem como é): ” ou os videogames, ou eu”.

Assim acabou o meu primeiro casamento (o com o Atari, lógico). Nesta época então vendi tudo o que tinha de Atari, saí do site e até mesmo do Canal 3. Minhas filhas eram recém nascidas (sim, eu tenho 3 filhas), e passei alguns anos afastado das comunidades virtuais. Profissionalmente, fui trabalhar com automação bancária em um grande banco de São Paulo, mais especificamente na área de Internet banking, e o sonho de trabalhar com games foi engavetado pela primeira vez.

Não que eu tivesse parado de jogar, pelo contrário – comprei um Playstation 1, e joguei até dizer chega. Quem já trabalhou em banco sabe o quanto pode ser estressante, então eu chegava em casa e literalmente me acabava.

Quando chegou a era do Playstation 2, ao mesmo tempo chegou a bomba – “a Microsoft vai lançar um console!”. Passado o susto inicial, fiquei muito entusiasmado pois na minha carreira eu havia passado a vida inteira programando em tecnologias Microsoft, e puxa, um console da empresa poderia ser até uma forma de eu unir o profissional e o meu lazer predileto!

Comprei então um Xbox, e passei a frequentar assiduamente um fórum chamado Brasil Xbox. E quem teve Xbox nesta época, sabe o quanto era interessante a promessa de jogo online, o que a Live significava, mas havia ali um pequeno detalhe – o meu Xbox, e imagino que de uns 90% dos demais brasileiros, era desbloqueado. Pelo Brasil Xbox então fiquei sabendo de uma “gambiarra”, um programa chamado “Xlink Kai” que permitia que o seu PC emulasse uma rede local pela Internet, permitindo que você pudesse jogar online com pessoas do mundo inteiro.

Foi a farra. Logo eu comecei a varar noites e noites jogando com o grupo de pessoas do Brasil Xbox, só para no outro dia relembrar no fórum como tinham sido as batalhas do dia anterior. E destas batalhas começaram a nascer clãs, como o Monkey, Selvas, e no caso do que eu participava… o Clã Destino.

Eu como sempre fui fuçado (e bem, trabalhava com isto), resolvi fazer um site com um banco de dados das “gamertags” do pessoal que jogava no Kai, que chegou a fazer até um sucesso na comunidade do Brasil Xbox. Mais do que isto, o site me aproximou ainda mais de um certo PHRIOS, meu companheiro de clã e incentivador do site, e também posteriormente do DocAraxá, amigão do PH e que morava na mesma cidade que ele – Araxá, MG.

Pois bem, eis que certo dia chego ao banco e vou acessar meu vício diário, quer dizer, o Brasil Xbox… e ele está off-line. Tudo bem, acontece, vamos aguardar – e assim se passam dois, três, dez, quinze dias. Como eu falava com o PH e o Doc praticamente todos os dias nesta época por conta do Kai, e como o Doc também era moderador do Brasil Xbox, a gente apertava ele para saber quando o fórum iria voltar… e o Doc apertava os donos do site. E a resposta que chegou não poderia ter sido mais desanimadora: basicamente, “desmotivamos e não temos interesse de voltar o site“. Pior, como a gente já estava atiçado para retomar a coisa toda, corremos atrás e descobrimos que não apenas o site tinha caído – ele tinha sido atacado, e todo o banco de dados apagado, perdido.

Pronto, foi a gota d’água. O Doc, que sempre foi o mais idealista de nós três, resolveu que deveríamos subir um novo site, um novo fórum, uma nova comunidade. Nasceu ali então, em 2005, o Portalxbox. E mais – já que estávamos começando do zero, e que um novo console iria ser lançado em breve, porque então não fazer algo diferente e simplesmente direcionar o site para permitir apenas a discussão sobre jogos originais, e coibir a pirataria?

Isto dito hoje, quase dez anos depois, pode parecer banal, mas só quem viveu a época sabe precisar o quanto foi loucura criar uma comunidade proibindo o assunto pirataria. Pra falar a verdade, acho que nem nós três sabíamos o impacto que aquilo teria para o portal como comunidade.

Dentro do Portal, comecei a fazer de tudo um pouco – de codificar o sistema do site, lançar notícias, cadastrar imagens, conversar com os usuários. Muita gente boa ajudava a gente diariamente a produzir conteúdo, como os saudosos Aranha e Tsunamy, e o Raymon e Burgarelli, que seguem firme no PXB até hoje. Sempre junto com o Doc e PH, resolvemos criar e apresentar um Podcast semanal, que às vezes era quinzenal, às vezes tinha hiatos gigantescos, mas que chegou a mais de 100 edições e até hoje é lembrado por muita gente como referência nesta midia.

Sei que eu tenho um orgulho gigante do que construímos no Portal, e uma consciência que foi uma das maiores portas abertas na minha vida, pois a partir do Portal eu ingressei em um programa muito bacana chamado Microsoft MVP, mais especificamente em 2009 quando fui agraciado com o prêmio pela primeira vez.

De todas as coisas importantes que vieram para mim com este prêmio, uma das maiores foi ter a oportunidade de conhecer em primeira mão uma tecnologia, que na época era super secreta e se chamava “Projeto Natal” – ou o que hoje conhecemos como Kinect. Outra paixão à primeira vista, e na primeiríssima oportunidade que tive já saí desenvolvendo para a geringonça.

Mais ou menos na mesma época do Kinect, outro fato também iria marcar minha vida para a sempre – um amigo antigo, ainda da época do Canal 3 chamado Moacyr pede para a administração do Portal a oportunidade de palestrar no evento anual que organizávamos em Sampa, o saudoso Fórum Nacional. E a palestra foi histórica – Momo (como era carinhosamente conhecido no portal) lança ali uma proposta dos gamers se unirem em torno de um ideal de baixar o imposto nos jogos brasileiros, e nasce o projeto Jogo Justo.

O Jogo Justo caiu como uma bomba no mercado brasileiro, afinal nesta época pagar R$250 ou mais em um jogo de videogame, infelizmente era comum. O Portalxbox se ofereceu a hospedar o site do projeto, e acabei caindo na função de “webmaster” do mesmo.

O sucesso do projeto foi tão estrondoso, que não tinha estrutura de servidores que aguentasse o tranco da onda que bateu (lembrem-se, isto foi anterior à popularização do “Cloud Computing”). Nenhum mesmo, pois nem o servidor do Walmart parou em pé nos Dias do Jogo Justo, que foram organizados pelo Moacyr.

Só sei que, quando a gente viu o Jogo Justo que havia nascido como um projeto em uma palestra, já estava na boca do povo, e o Moacyr então juntou todo aquele momento e transformou o projeto em algo bem mais organizado – uma associação, a ACIGAMES.

Tenho também um orgulho imenso de ter participado da ACI desde a primeira reunião de planejamento “no guardanapo” no Pizza Hut do Center Norte, depois uma pancada de reuniões na UZ Games e em outros locais, até a formação inicial da associação, e depois seu lançamento. O Moacyr me convidou e eu com muita alegria aceitei o cargo de Primeiro Secretário na associação, que crescia a olhos vistos.

Também mais ou menos nesta época, um pouco antes na verdade, me vi em uma ligeira “encruzilhada” profissional – o banco para o qual eu prestava serviço há mais de 10 anos estava sendo vendido.

Foi aí que o chamado empreendedor bateu de vez. Por conta do programa MVP eu havia feito algumas viagens ao exterior, conhecido o time de Xbox, a Capcom, Nintendo. Por conta da ACI e principalmente do Portalxbox eu comecei a conhecer gente do meio, entender um pouco do mercado de games, e “perder o medo” de empreender na área de entretenimento. Foi então que em 2010 resolvi dar um “salto de fé” e cair de cabeça – saí do banco, peguei as (poucas) economias que tinha, e abri uma empresa em Sorocaba, cidade onde moro, a Webwave.

A WebWave seguiu o conceito de startup completamente à risca – um escritório simples alugado, com nada de móveis além do básico, uma boa conexão de Internet e muita vontade de criar algo. Basicamente, aproveitei o conhecimento que eu tinha de desenvolvimento em ferramentas Microsoft e a paixão pelo Kinect para começar a fazer projetos especiais dentro da tecnologia.

Foi justamente para um destes projetos que o meu grande amigo Jonathan me chamou para conversar um dia. A agência de publicidade que ele trabalhava (e ainda trabalha) estava querendo fazer uma ação completamente inovadora para uma faculdade de Sorocaba, e ele pensou que Kinect seria uma boa.

Fizemos então após três semanas de trabalho quase ininterrupto para a FACENS um dos primeiros cases brasileiros de publicidade envolvendo Kinect – quando o SDK oficial ainda nem tinha saído, em um shopping de grande movimento. O sucesso foi estrondoso, e mais importante ainda, acabei por conhecer o André, um dos proprietários da agência.

A empatia foi imediata, e mais do que isto, em pouco tempo descobri que o André tinha um sonho de entrar no mercado de desenvolvimento de tecnologia, compartilhado com seus irmãos João e Thais. E eu tinha um sonho de escalar o que era a WebWave, entrar no mercado de consumidor de massa. Foi como se diz por aí, juntar a fome com a vontade de comer, e em 2012 nasceu a Smyowl, que encurtando toda esta história longa é, basicamente, a empresa dos nossos sonhos 🙂 .

Porém, como todo mundo que tem ou já teve uma startup pode atestar com certeza, início de uma empresa é uma época de correria gigantesca. Tudo tem que ser feito do zero, processos tem que ser criados, e nesta correria optei por abrir mão de participar tanto do Portalxbox quanto da ACIGAMES, pois realmente não estava conseguindo dedicar o tempo que eu gostaria e que estas iniciativas mereceriam. Saí do quadro de administradores do Portalxbox, e me desliguei do quadro de diretores da ACI, com uma grande sensação de dever cumprido em ambas as iniciativas, e uma alegria imensa de acompanhar o sucesso dos dois. O Portalxbox passou por um grande rejuvenescimento, e sob comando do DocAraxá, PHRIOS e do Raymon agora se chama PXB e está mais forte do que nunca. E a ACIGAMES se transformou em uma das maiores associações de games do mundo, acompanhando o crescimento do mercado no Brasil e o ritmo insano e incansável de trabalho do Moacyr.

O ponto é que, após dois anos praticamente afastado dos trabalhos de comunidade gamer, passei a sentir falta de atuar nela, por mais que atualmente eu esteja “de corpo e alma” na indústria de jogos com a Smyowl. Foi então que, depois de muito pensar no que eu poderia oferecer de bom para o mercado, e principalmente o que eu poderia criar que de fato gerasse conteúdo relevante e não mais uma “iniciativa por si só”, que este projeto do Indústria de Jogos começou a criar forma. Uma maneira descontraída e descompromissada de colaborar um pouquinho com o fortalecimento do mercado brasileiro, inspirar a garotada e registrar histórias de vida tão interessantes através de nossas entrevistas, me divertir pra caramba no processo, e interagir de novo com esta comunidade tão apaixonante que são os gamers brasileiros.

É isto pessoal, espero que vocês gostem, e bora seguir a jornada!

Comment(7)

  1. Meu querido, lendo suas palavras sinto que ao menos fiz parte de alguns momentos em sua vida.Parabéns pela sua trajetória até aqui e que novos e GRANDES passos sejam galgados….Sucesso!!!

  2. Parabéns pela iniciativa!! Fico feliz em vê-lo realizado e com grandes projetos!!! Saudades do amigo Alegretti!!

  3. Parabéns grande Malegra, sou até hoje assíduo frequentador e usuário do atualmente PXB, fico feliz por saber que você ainda está envolvido em grandes projetos.
    Rapaz bateu um saudosismo agora, apesar de pouco tempo, mas eu não perdia um podcast cara… Vc, Doc, PH e aquele portuga (não me lembro o nome dele) mandavam sempre muito bem!!!
    Abraços e sucesso

    1. Opa Leonardo! Obrigado pela força! Bom saber que você curtiu aqui o IDJ. Precisando de algo, só falar!

      PS: O nome do portuga era Assassin Monk… 🙂

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